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Hub de Telecomunicação

CEO da Angola Cables Brasil, Rafael Pistono, fala sobre os investimentos da empresa no Ceará.

A Angola Cables, multinacional de telecomunicações globais e principal investidora do chamado Parque Tecnológico de Fortaleza, responsável pelo aporte de US$300 milhões em projetos de Telecom no estado do Ceará, espera gerar um incremento de R$1 bilhão no PIB do estado até 2055, com a atração de novas empresas para a capital cearense. Ao todo, a companhia, que já opera o West Africa Cable System (WACS), cabo submarino que liga toda a costa oeste da África, além de seis países europeus, saindo da África do Sul e chegando até Londres, conta com três empreendimentos em andamento, no estado nordestino: O South Atlantic Cable System (SACS), primeiro cabo submarino do Atlântico Sul que irá ligar Fortaleza, no Ceará, a Luanda, em Angola; O Monet, cabo submarino de fibra ótica que irá conectar Fortaleza a Santos e Miami, nos Estados Unidos (em parceria com o Google, Algar Telecom e Antel (Uruguai); e O Data Center Internacional, que está sendo construído na Praia do Futuro, também na capital cearense, e será um agregador de cabos, o qual receberá conteúdos digitais de todos os continentes do mundo. 

Em fases adiantadas, a empresa finalizou a instalação do cabo Monet em alto mar e, atualmente, trabalha na finalização das suas landings stations, que devem entrar em operação no último trimestre de 2017. Já o SACS, com seis mil quilômetros de extensão e capacidade de conexão de, pelo menos, 40 Tbps, está em fase final de instalação. O cabo, construído pela empresa japonesa NEC Corporation, deve entrar em operação no primeiro semestre de 2018, assim como o Data Center. 
Hoje, a conexão entre a América do Sul e a África passa pela Europa e pela América do Norte, até chegar ao Brasil. Com o novo cabo, a expectativa é de que a conexão aconteça com muito mais rapidez, segurança e qualidade. Em relação aos preços, que entre Brasil e EUA vêm despencando desde 2013, quando 10 Gbps custavam mais de US$90 mil por mês, espera-se que continuem a tendência de redução. Para saber mais sobre os projetos em desenvolvimento, conversamos com o CEO da Angola Cables, Rafael Pistono, sobre esses investimentos, que irão tornar o Ceará um novo Hub das telecomunicações globais. Leia a entrevista na íntegra:

Quais sãos os principais benefícios e as mudanças que cada um desses empreendimentos trará para o Brasil, especialmente para o Nordeste?
O empreendimento da Angola Cables, que consiste na implantação e operação dos sistemas de cabos submarinos de fibra ótica SACS, Monet e Wacs e dos Data Centers Angonap e Fortaleza, traz consigo a natureza disruptiva do grupo. A partir da operação das referidas estruturas e seus respectivos serviços e produtos, pode-se dizer que estamos em vias de quebrar o paradigma das telecomunicações mundiais. Historicamente, o tráfego internacional concentra-se na região do Atlântico Norte (EUA – Europa), onde estão grande parte dos cabos submarinos de fibra ótica e onde se concentram os Data Centers. A Angola Cables traz um novo olhar para o tráfego internacional e para o processamento e armazenamento de dados quando, alternativamente, concentra suas rotas e projetos no Atlântico Sul. 
Relativamente aos benefícios ao Nordeste, é importante dizer que essa ruptura de paradigma tem potencial de integrar a região ao resto do mundo e às demais regiões do Brasil, uma vez que se está a trazer ao Nordeste a interconexão necessária para atrair os grandes players do mercado de conteúdo, armazenamento e processamento, telecomunicações, games, serviços, TI, etc.


Após o aporte de US$300 milhões, qual é o retorno que a Angola Cables espera obter com esses três projetos de Telecom no estado cearense?
A Angola Cables pretende atender ao crescente mercado consumidor de internet africano, interconectando o importante mercado brasileiro, americano, europeu e asiático, formando uma rede mundial de conectividade e armazenamento/processamento de dados. Com isso, o caminho natural é contribuir para tornar o Ceará e o Nordeste um importante Hub de Telecomunicações e TI mundiais. A Angola Cables nasce no Brasil, no Nordeste e, a partir deste ponto, pretende se tornar referência mundial em interconectividade.

O SACS foi construído com o intuito de melhorar o tráfego gerado entre a África e a América, tornando a troca de dados, entre esses dois continentes, cinco vezes mais rápida. Com isso, podemos esperar que haja uma redução nos custos das conexões entre os países? Por quê?
Sim. A redução dos custos de internet é uma tendência mundial e natural. Além disso, a capacidade de interconexão e armazenamento proporcionada pelas estruturas da Angola Cables promete não só aumentar a escala como, também, trazer conteúdos, serviços e produtos que atualmente são buscados nos EUA e na Europa, o que impacta nos custos de transporte.

Além de tornar o Ceará um Hub de tecnologia e comunicação internacional, qual a importância do Data Center na América do Sul? Ele possui algum diferencial?
Vivemos o momento da Transformação Digital em que se costuma dizer que os “dados” são o petróleo do futuro. Nessa perspectiva, alguns desafios são lançados à economia digital. Um deles é efetivamente o reduzido número de Data Centers pelo mundo e, principalmente, na América Latina e Brasil. Um Data Center da dimensão do Data Center de Fortaleza é, por si só, um diferencial para a região. Entretanto, quando se observa a potencial conectividade de Data Center, percebe-se que, de fato, há um diferencial imenso. O Data Center de Fortaleza destaca-se por sua neutralidade, isto é, não é um Data Center apenas para os sistemas da Angola Cables e, sim, um DC que está à disposição para receber a conectividade de qualquer agente de mercado, que pretenda usufruir da estrutura de Tier III instalado no estratégico hub de Fortaleza e interligado aos destacados Sistemas SACS, Monet e Wacs.  Leia a revista
Editorial, 05.DEZEMBRO.2017 | Postado em Entrevista

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